O POVO XIKRIN DO CATETÉ

Os Xikrin do Cateté pertencem ao grupo Kaiapó, nome do povo e da língua que utilizam. Localizam-se, atualmente, próximo ao rio Cateté, afluente do rio Itacaiúnas, em área de mata rica em mogno e castanheiras. Antes da presença do homem branco na região, os Xikrin do Cateté viviam numa área mais extensa, ocupando temporariamente diversas aldeias espalhadas pelo sul paraense.
Com a entrada de caucheiros e castanheiros, iniciaram-se as hostilidades, que culminaram com um massacre de 180 indígenas, em 1930. Os Xikrin mudaram-se, então, para os arredores do rio Bacajá e as cabeceiras do rio Itacaiúnas. Mas como essa área também era rica em castanheiras, em breve ocorreram novos choques, o que obrigou os indígenas a retornarem ao rio Cateté. A partir de 1966, os padres dominicanos Frei Gil Gomes Leitão e Frei José Caron passaram a viver entre os Xikrin, dando assistência médica e orientação sobre formas de sobrevivência econômica.
A área ocupada pelos Xikrin passou a ser invadida por madeireiras, a partir de 1977. Como nessa época a área já estava delimitada e demarcada, pertencendo legalmente aos indígenas, houve processo judicial para a retirada dos invasores. Em 1995 a população Xikrin era de 517 pessoas.
Apesar das violências sofridas, os Xikrin conseguem, hoje, manter as tradições, o emprego da língua Kaiapó e o respeito pela natureza.

UMA ESCOLA AGRICOLA

"Os Xikrin sempre foram agricultores. Abrem grandes roças onde cultivam milho, mandioca, macaxeira, inhame, batata-doce, abóbora, banana, mamão e algodão".
"Apenas o chefe, Bemoti, tem uma roça que leva seu nome. A roça de Bemoti não se caracteriza tão somente como sendo propriedade do chefe da aldeia. Serve também á formação dos jovens mebengodju e meprinti (meninos de seis a oito ou dez anos, e meninas antes do casamento); é lá que, quando reunidos informalmente, recebem as instruções pacientes de Bemoti e aprendem, sob o olhar vigilante de sua esposa Nhiok-pú, os rudimentos da agricultura: como limpar, onde plantar, qual o tamanho dos buracos a cavar e a distância entre eles, como colocar no chão a maniva e quantos grãos de milho ou sementes de abóbora devem ser enterrados a cada vez. Mais tarde, quando começam a brotar os primeiros rebentos, cada um é convidado, durante o alegre passeio à roça, a reconhecer o que ele mesmo plantou, a admirar o tamanho e a cor das folhas e a retirar insetos ou ervas daninhas". (VIDAL, 1977, p.77 e 79).