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O
POVO SURUÍ
Um
dos povos aqui encontrados é o Suruí, nome dado pelos brancos,
pois eles mesmos se autodenominam Aikewara, que significa simplesmente
"Nós". Os Suruí se expressam em um dialeto tupi-guarani. No século
passado, em 1892, esse povo foi visto pelo pesquisador francês Henri Coudreau,
próximo à região onde posteriormente seria instalada a cidade de Marabá.
Mais
tarde, em 1923, um grupo de indígenas Suruí foi avistado nos arredores
da cachoeira de Santa Isabel (rio Araguaia), por Frei Antônio Sala. Nessa
época o branco começou a fixar-se na região, passando a ocorrer conflitos
com os indígenas. Em certa ocasião, por exemplo, alguns indígenas Suruí,
tendo saído para caçar, flecharam animais domésticos criados pelos brancos
em uma fazenda. Isso aconteceu porque eles não entendiam que alguém criasse
aqueles animais, nem tinham a noção da propriedade particular. Eles não
imaginavam que estivessem prejudicando alguém, sendo surpreendidos pela
violenta reação dos brancos. Alguns índios foram mortos e os demais se
refugiaram no interior da mata. A busca de castanha fez com que os brancos
penetrassem nas matas, atingindo territórios ocupados pelos Suruí, resultando
daí novas violências, de parte a parte. Com tantas agressões, os Suruí
tornaram-se arredios, fugindo a qualquer aproximação.
Na década de 1950 o padre marabaense Frei Gil Gomes Leitão, da ordem dos
Dominicanos, preocupado com o destino dos indígenas, conseguiu ser aceito
pelos Suruí, passando a auxiliá-los e a protegê-los de agressões. Algumas
vezes, aproximações aparentemente inofensivas causavam aos indígenas resultados
tão trágicos quanto os ataques e agressões. Em 1960, por exemplo, estando
Frei Gil ausente da aldeia, ocorreu que um grupo de homens sem escrúpulos
aproximou-se dos Suruí, ganhou a confiança deles e convenceu-os a caçar
animais selvagens, para lhes fornecer as peles. Com essa atividade, muitos
indígenas afastaram-se da vida tribal e dos trabalhos na roça. Além disso,
o contato com os brancos provocou um surto de gripe que matou grande parte
dos indígenas. Avisado da tragédia, Frei Gil retornou à aldeia, expulsou
os aventureiros e lutou pela sobrevivência e pela restauração da dignidade
dos restantes Suruí. Foi ainda Frei Gil quem conseguiu, através de um
decreto presidencial, a interdição da área indígena aos demais moradores
da região. Por essa época, fins dos anos 60, a região sofria ocupação
acelerada, por parte de pequenos lavradores oriundos de Goiás, Maranhão,
Estados do Nordeste e do Leste.
Passou a haver maior contato entre indígenas e brancos, com trocas de
produtos e pequenos negócios. Na década de 70 os Suruí foram envolvidos
pela movimentação militar em função da Guerrilha do Araguaia. Quatro índios
foram trabalhar como batedores", ou guias do Exército. A região foi cortada
por várias estradas, sendo que uma delas, a OP-2, atravessou o território
Suruí no Sentido norte-sul. A população atual dos Suruí é de 180
habitantes, vivendo na Área Indígena Sororó, próximo à Serra das Andorinhas.
Esses indígenas mantém, hoje, boas relações com os habitantes da região
O MODO DE VIDA DOS SURUÍ
Cada
família tem sua roça, onde cultiva dois tipos de mandioca dois tipos de
milho, arroz, algodão, batata, cará, inhame, cana-de-açúcar e vários tipos
de banana. Criam gado e galinhas. Apreciam também a carne de caça, realizando
caçadas no período de dezembro a maio, época em que há menos trabalho
nas roças. Fazem coleta de frutos da floresta: castanhas, cupuaçu, bacaba,
cacau-do-mato, abiu, ingá, babaçu, mamão-do-mato, almescão, pequi. No
verão utilizam o açaí. Cultivam limão, lima, laranja, manga, goiaba, maracujá;
caju.
A atividade agrícola constitui, hoje, tarefa basicamente masculina. As
mulheres participam no plantio da mandioca, mas a confecção da farinha
é encargo dos homens.
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