O POVO PARAKANÃ

O povo Parakanã se autodenomina Awareté, que significa "gente de verdade". A língua dos Parakanã pertence á família Tupi-Guarani.
Os Parakanã sempre se situaram entre os rios Xingu e Tocantins área do atual município de Tucuruí.
A construção da Estrada de Ferro Tocantins, a partir da década de 20, trouxe os primeiros conflitos dos indígenas com os brancos. conflitos provocaram uma crise entre o Marechal Rondon e o povo paraense Magalhães Barata. A crise começou em 1944, quando engenheiro-diretor da Estrada de Ferro Tocantins, Carlos Teles, estando na presença de Barata, autorizou os funcionários da empresa a atirarem nos índios. assim que os avistassem na ferrovia.
Uma incursão com 30 homens arnados, chefiados por Teles, não encontrou os Parakanã, mas destruiu os seus ranchos. Em 1949, Magalhães Barata enviou telegrama ao Mal. Rondon, reclamando que o representante do SPI, em Tucuruí, estava impedindo os policiais de afugentarem os Parakanã, os quais, armados com rifles, ameaçavam os moradores da cidade. A resposta de Rondon negava que os Parakanã usassem armas de fogo e declarava que os ataques indígenas eram revides aos ataques que sofriam e às chacinas em que se destacavam as perversidade do paranóico "Pá Virada" contra indefesos curumins assassinados pelo infame processo de esfacelar-lhes os crânios de encontro aos troncos das árvores
"Pá Virada" ou "Pá Torta" era um bandido famoso pela crueldade e violência que empregava contra os indígenas. Na década de 70, com a abertura da Rodovia Transamazônica e a construção da Hidrelétrica de Tucuruí, iniciaram-se os contatos da FUNAI com os Parakanã, que viviam dispersos, formando vários grupos isolados. Somente em 1984 foi contatado o ultimo grupo. A população indígena Parakanã, em 1984, era de 347 pessoas. Em 1991, de acordo com informações da FUNAI, eram 307 os Parakanã. Hoje os Parakanã habitam três aldeias, duas delas situadas nos municípios de Itupiranga e Jacundá, e a terceira nas proximidades do rio Xingu.

"Parakanã viram as suas terras invadidas por posseiros, madeireiros, a CAPEMI e as empreiteiras que construíram a barragem. Foram transferidos para uma outra área e depois para outro local diferente, para, no final, ver suas terras à margem do lago concedidas a particulares, quando poderiam tê-las mantido como suas. Uma experiência inútil e desgastante, do seu ponto de vista, e reconhecidamente corrupta e desmoralizante para o patrimônio nacional". (Gomes, 1991, p.182).