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O
POVO GAVIÃO
Diferentes
grupos Timbira receberam essa denominação, mas os Gavião localizados próximo
a Marabá se autodenominam Parkatêjê. Sua língua é um dialeto Timbira,
pertencente à família lingüística do Norte" Os Gavião sempre foram temidos,
mas na verdade eram desconhecidos dos brancos. Estes passaram a atacá-los
a partir de 1920, quando a exploração da castanha provocou a penetração
nas matas da margem direita do rio Tocantins. À medida que a castanha
foi ganhando importância econômica, aumentaram os conflitos. Assim, na
década de 30 e 40, as autoridades e donos de castanhais organizavam expedições
de extermínio aos Gavião.
Relatos encontrados em jornais de Marabá, dos anos de 1949 e 1950, descrevem
os ataques dos indígenas a castanheiros e moradores de Ipixuna, mas não
falam sobre as expedições de extermínio que eram organizadas em revide.
Somente na revista Itatocan, de janeiro de 1953, encontramos a denúncia
de um violento ataque dos brancos aos Gavião. Trata-se do "massacre de
parte de urna tribo Gavião no lugar Marrecos, pouco abaixo de Saranzal,
pelos moradores deste local". Um trecho do relato diz: "a índia, como
implorando misericórdia, apresentava o filhinho na sua frente. Nada comoveu
ao bárbaro assassino, que com um golpe no rosto tirou-lhe metade da cabeça,
degolando em seguida o Colomy..." O autor do relato informa, ainda, que
os Gavião eram inofensivos e que se aproximavam das margens do Tocantins,
em certas épocas do ano, em busca de alimentos: "E os moradores de Marabá
ainda se recordam do velho Coronel Messias, que recebia os Gavião em sua
propriedade de Mãe-Maria, todos os anos, não sendo molestado por eles
em seus trabalhos extrativos na mata". Os primeiros contatos de paz, já
com grupos Gavião esfacelados e empobrecidos, deram-se em 1956, através
de expedição organizada por Frei Gil Gomes Leitão, em companhia de Hilmar
Harry Kluck, funcionário 11 do SPI (atual FUNAI). Nessa época formou-se
então urna aldeia, nas proximidades de Itupiranga. O contato com a população
branca trouxe um surto de pneumonia, gripe e sarampo, que dizimou grande
parte do povo Gavião. O líder, então, era o jovem e valente Krôhôkrenhum.
Quando ele viu seu povo morrendo, pegou as crianças órfãs e deu-as aos
brancos, dizendo: "Vocês podem tomar conta, vocês criam, eu vou ficar
só, porque eu sei que vou morrer".
Mais uma vez a assistência de Frei Gil salvou o povo Gavião do extermínio.
Conta Krôhôkrenhum: "Frei Gil chegou... leva rancho, leva tudo, café,
açúcar, farinha... ih! muita farinha. Ele levou quatro "caras" lá, eles
fizeram a roça. Oito "linhas" que os caras fizeram, queimaram, plantaram
mandioca, banana. Só urna vez. Ai nós começamos (no outro ano), fizemos
outra roça, plantamos..."
Em 1964, aconselho do Serviço de Proteção aos Índios, mudaram-se os Gavião
para o local chamado Mãe-Maria, em área concedida a esse povo desde 1943,
por decreto governamental. Três grupos remanescentes de lutas internas,
que viviam separados, foram se reunindo na atual Comunidade Indígena Parkatêjê
que, a partir de 1976, sempre sob a chefia do líder Krôhôkrenhum, reconquistou
o controle de suas atividades econômicas e sociais e fortaleceu sua identidade
como povo.
UMA
TRADIÇÃO PRESERVADA
Os Gavião
procuram preservar certos costumes, como o do preparo do berarubu
ou kuputi, iguaria tradicional, em que se colocam duas camadas
de mandioca ralada, entremeadas de carne de caça e assadas sob pedras
quentes e folhas de bananeira num forno coberto de terra, improvisado
no quintal das casas. Um peixe apreciado para o preparo do berarubu
é o poraquê, o famoso peixe elétrico A atual aldeia dos Gavião
é composta de 33 casas dispostas círculo forma tradicional das aldeias
Timbira.
As casas são de alvenaria com paredes pintadas de azul, portas e janelas
brancas cobertura telhas de barro. Todas têm água, luz e esgoto. Na escola
da aldeia ensina-se aos jovens e crianças, além do currículo habitual,
o dialeto timbira e a história do povo Gavião.
Todos participam de cantos e danças tradicionais, realizam jogos de flechas
e corrida toras. Também gostam de assistir a televisão e jogar futebol.
Em 1993. a comunidade Indígena Parkatêjê reunia 300 pessoas.
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